Você pode se surpreender quando for fazer o seguro de seu carro. Dependendo do local onde mora, ele pode ficar até 115% mais caro. É o custo da violência, uma vez que o preço está relacionado aos riscos oferecidos. E ele é maior nas periferias e locais que lideram o ranking de roubos, furtos, acidentes ou com presença de pontos de desmanches clandestinos. São locais onde o veículo está mais exposto, ressalta Paul Douglas Camarin, diretor da HDI Seguros SA, em Vitória. Neival Rodrigues Freitas, diretor da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), observa que as estatísticas de furtos, roubos e acidentes servem de referência para as seguradoras calcularem seus preços. "Se o risco aumenta a seguradora ajusta o preço".Um levantamento realizado na Grande Vitória revela estas diferenças. Na Capital, tomando como referência a Praia do Canto, você pode pagar 22% a mais na periferia, se a comparação for com São Pedro ou Centro. A diferença também é significativa entre bairros de classe média, como Mata da Praia ou Jardim Camburi, onde o seguro é 15% mais caro. Os locais são identificados pelas seguradoras como de risco.Se forem considerados municípios que lideram o ranking dos roubos e furtos, esse percentual é ainda maior. Pode chegar a 73% na Serra, 105% em Cariacica e até 115% em Viana - onde há vários presídios.Tendência A utilização do CEP (Código de Endereçamento Postal) do proprietário do veículo como uma das referências para o cálculo do preço vem se tornando uma tendência nas seguradoras. "É mais justo. Quem mora onde há muitos roubos não deve pagar o mesmo preço de quem conta com mais segurança", lembra Paul, da HDI, que já trabalha a ampliação do número de CEPs que utiliza.Outro exemplo vem do interior. Segundo Paul, de 80 carros roubados num ano, apenas 8 estavam no interior. Nestas localidades, o seguro chega a ser 20% mais barato. Há 20 anos no mercado, Luiz Fernando Magalhães, da UP Seguros, ressalta que há outras ações adotadas para gerenciar o risco, como o sistema de rastreamento. Ele é destinado a veículos com preços elevados e muito visados por ladrões. Nestes casos, as seguradoras oferecem o equipamento em sistema de comodato (empréstimo) para o cliente. "Se a pessoa recusar, o que é raro, pode ficar sem o seguro, já que o risco é grande", afirma Magalhães.Ocorrências 1.477 carros É a quantidade de veículos roubados até abril deste ano, segundo a Polícia CivilRanking dos roubos Cidade Nº% Vila Velha 83 22,62Cariacica 77 20,98Vitória 75 20,44Serra 59 16,08Cachoeiro 10 2,72Linhares 7 1,91São Mateus 5 1,36Colatina 5 1,36Guarapari 5 1,36Viana 4 1,09Outros 37 10,08Total 67 100Fonte: Fenaseg Cliente deve buscar orientação Na hora de comprar um carro, zero ou usado, a última pessoa que você lembra de consultar é o corretor de seguros. Para os especialistas da área, um erro que pode aumentar os seus gastos. "O corretor de seguros deve ser como seu médico de confiança. É seu consultor de negócios e a interação com ele é fundamental", observa Paul Douglas Camarin, diretor da HDI Seguros, em Vitória.Segundo Camarin, o corretor pode garantir as informações que o cliente precisa na hora da compra podendo, inclusive, ajudar a pessoa e evitar a contratação de um seguro muito caro. Foi o que ocorreu com um cliente de Luiz Fernando Magalhães, da corretora UP Seguros. Um jovem, com 29 anos, se preparava para comprar um carro esportivo na faixa de R$ 35 mil. Um perfil que resultaria num seguro de R$ 4 mil."Uma pessoa nova com um carro esportivo. Para a seguradora a possibilidade de um sinistro (acidente, roubo, furto) é grande", ressalta.Opções Se o mesmo cliente optasse por um carro com outro perfil, familiar, até mais caro, na faixa de R$ 72 mil, pagaria um seguro de R$ 2,8 mil, o que equivale a 3,89% do valor do veículo. Na situação anterior, estaria pagando um seguro equivalente a 11,43% do valor do veículo. "Neste caso ou a pessoa desiste do seguro ou do veículo", explicou Magalhães.O que pode influir em seu seguro Tipo. Um automóvel muito visado pelos ladrões costuma ter um seguro mais elevado, já um carro esporte tem seguro mais caro do que um carro familiarLocal. O lugar onde fica o carro, no estacionamento ou na rua, na cidade ou no campo, em cidades pequenas ou em grandes centrosUso. A frequência com que você dirige, se é utilizado para lazer ou a trabalho. Quanto mais tempo alguém passa dirigindo, maior o risco de acidentesPerfil. Influi o sexo (as mulheres contam com desconto), a idade (os mais jovens têm mais probabilidades de acidentes), estado civilEquipamentos. Tudo o que pode impedir o furto: alarme, trava, rastreadorFonte: Profissionais entrevistados Comprador deve pedir vistoria Para evitar a compra de um veículo roubado o melhor caminho é levá-lo para fazer uma vistoria na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. A orientação é do delegado Adroaldo Lopes Rodrigues.No local será feito uma checagem para identificar se há irregularidades no veículo. Será verificado se o carro está com placa fria, se foi clonado, roubado, ou possui qualquer tipo de adulteração no chassi.O serviço é gratuito. Segundo o delegado Adroaldo, a vistoria deve ser feita antes que a comercialização seja efetuada."O comprador deve propor a ida até a delegacia para que a vistoria seja feita. É o mais seguro. Se houver recusa da parte do vendedor, deve desconfiar de que há algum problema com o veículo. Neste caso, evite o negócio e também faça a denúncia à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos para que possamos investigar", observou Lopes.Documentação Vai ser checado ainda se há problemas com a documentação do veículo, além da existência de multas pendentes. O serviço é indicado para pessoas que compram carros usados e precisam saber se há alguma irregularidade. Segundo Adroaldo, o índice de recuperação de veículos roubados, de janeiro a maio deste ano, já chega a 73%. No mesmo período foram roubado 1.826 veículos no Estado.
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